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sábado, 6 de agosto de 2011


Nunca sabemos ao certo como somos vistos por outrem. Aquele olhar que a pessoa te lança quando você diz alguma coisa, pode ter inúmeros significados... Já tem certo tipo de gente que fala com o olhar... Essas são mais fáceis... Tem uma transparência natural que te deixa mais confortável, ou não... Há quem não suporte a opinião alheia. Há quem só aceite olhares de aprovação... Essas são as pessoas que sempre tento manter uma distância razoável...

Sabe aquelas pessoas que vivem no “Mundo fantástico de Bob”? Então, dessas que eu resolvi há muito tempo manter uma distância saudável.

Parece que tem gente que vem pra o mundo pra encenar a vida. Tudo é fake... Vivem no mundo da Polly... É... Verdade!!! Da Polly... Daquele tamanhozinho! Vivem na superfície da vida, e tudo é morno... Você pergunta: Como você está? E a pessoa vai sempre responder: Se melhorar estraga... Pff!! Frase besta!!!

São tantas configurações de gente, que dá até preguiça de conhecer cada uma delas. E algumas delas são intragáveis:

- Dramáticas: São daquele tipo de gente que o maior drama da vida delas é a própria existência. Geralmente essas pessoas tem tudo, casa, comida, roupa lavada, pai, mãe, periquito e papagaio... Mas elas insistem em fazer da sua vida um drama. São as vítimas do mundo, da sociedade, do sistema solar... Nem preciso dizer da preguiça que tenho dessas pessoas... A vontade que tenho de meter a mão na cara e dizer: Acorrrdaaaa e vai viver!!! E PARA COM ESSA PORRA DE DRAMA QUE JÁ DEU!!!!

- Família do Bob: Dessa eu já comentei... É tudo uma maravilha... E se não é a gente finge que é. Os fins sempre justificam os meios... Mesmo que esse meios sejam sórdidos... Sujos... Mesmo que o amor não seja amor, seja só uma necessidade de atender um capricho... Mesmo que doa, a gente finge que nem se importa... rsss... Mesmo que... Não tem problema... Eles não pensam... Não se aprofundam... Pede mais uma cerveja, que tudo se resolve... A vida é uma festa! E não existe nem ressaca moral... Pq a moral também está longe de ser prioridade... Geralmente se acham pessoas iluminadas. Criticam qualquer um que não aceite participar da bagunça da vida deles... Mas não se iluda... A falta que você faz é só da sua parcela na divisão das contas do bar...rs... E quando você realmente precisa... São os primeiros a terem compromissos inadiáveis... E quando você chorar... Serão os primeiros a trocar a turma por uma mais animada... Afinal de contas... Eles não tem capacidade suficiente para compreender a vida e seus percalços...

- Desnecessárias: São aquelas que o próprio nome já diz – DESNECESSÁRIAS. São aquelas pessoas que são acima de tudo, desagradáveis. Seus comentários são sempre ridículos... Suas piadas são sempre sem graça... Suas ideias são sempre inúteis... Enfim, não há nenhuma explicação lógica pela existência desse ser.

- Inatingíveis: São aquelas pessoas que todo mundo gostaria de ser. É um grupo seleto e fechado. Essas pessoas só se relacionam com pessoas do mesmo grau de intelectualidade, status e dinheiro... kkkkk... Falam das suas viagens a Bangladesh, do ritual vibhuthi e de como foram curados pela cinza sagrada na índia, dos melhores cafés em Paris, dos melhores restaurantes da Tailândia, de como está a economia global, da queda da bolsa... Enfim, de um mundo paralelo que você, eu ou qualquer mortal da terra nunca passaremos perto.

- Práticas: São aquelas pessoas que acordam logo cedo e na frente do espelho se preparam para matar um leão. Na hora do almoço quase desistem, mas se lembram das contas do final do mês... Então, continuam o dia, olhando no relógio para que o dia termine logo. Reclamam pouco, pois já perceberam que ninguém está nem aí para suas lamúrias... No final do dia, juntam as forças para confraternizar com os amigos num happy hour bem corrido, porque não podem demorar muito pois o dia seguinte é mais um dia de luta. Todos tem seus traumas, seus vícios, suas carências, mas... Resolveram encarar a vida de frente e deixar qualquer drama fora do alcance do campo visual. Pessoas dessa configuração geralmente não se dão bem com as pessoas de configuração dramática. Algumas frequentam terapias para tentar aliviar a carga... Outras preferem ficar quietinhas no seu canto... Outras escrevem... E por aí vai...

- Indefinidas: Ahhh... Essas são de doer! São pessoas indecifráveis... Elas não tem opinião, mas sempre vão concordar com o que você diz. Mas não se iluda, basta que essa pessoa vire a esquina que vai concordar com o próximo que tem a opinião totalmente contrária a sua. Circulam livremente por todas as tribos, são ótimos espiões e não conseguem guardar muitos segredos. Mas quase nunca são identificados... Sabem ser sutis e imperceptíveis... Cuidado!

- Carentes... entes... entes: São aquelas pessoas que precisam de atenção 24 horas por dia. São meigas, doloridas e sensíveis. Precisam de abraço, de carinho, de dengo. São doces e quase te provocam diabete. Choram com propaganda de sabão em pó e todo mundo ao seu redor sempre tem muitos dedos para falar alguma coisa, pois tem na testa um luminoso piscando em letras garrafais: CUIDADO! FRÁGIL! Elas se dão muito bem com a tribo Dramática... São quase unha e carne...

- Solitárias: Desistiram do mundo definitivamente. Depois de tanto tentar compreender a humanidade, cansaram e se recolheram em casulos. Geralmente tem uma visão muito clara do mundo e se relacionam muito bem com as pessoas práticas. Mas sempre com restrições: Não ultrapasse o limite do meu mundo! Aprenderam a ter amor próprio, mas esse amor próprio é tão grande que concluíram que nenhuma outra pessoa conseguirá superar em amor, o amor que sentem por eles mesmos.

Bom, essas são algumas configurações de pessoas... E não venha me dizer que você não se reconheceu em algumas dessas pessoas...

No final das contas, o que vale mesmo é se reconhecer e se aceitar... Vivemos em tribos, é impossível agradar a todos e nem é esse o nosso intuito... Ser feliz é o que importa!

Cada um com seu cada um...

E não posso deixar de citar uma frase que adoro;

“Pior do que misturar bebidas, é misturar pessoas.”

E tenho dito.

Bal 1

sábado, 18 de junho de 2011

O preço e a recompensa




É sabido que dou aulas, individuais, de criatividade, isso mesmo criatividade. Para constar nas nomenclaturas das coisas é intitulado como redação. Não vejo como matéria de currículo acadêmico, e sim como arte. Tanto é que não me apego muito a regras, falo uma vez, e depois essas têm que vir com a criação. Não sei como consegui, aliás sei . Sempre fui uma professora estupidamente atípica, nunca consegui seguir o plano de aula. Ensino, ou melhor, transfiro conhecimento numa eterna dialética, é uma luta de saberes, apanho e dou porrada o tempo todo. Tem dado certo, entre os horários não cabe mais um suspirar, uma lista enorme de “alunos’ querendo uma vaga e até hoje não fui processada por minha eloquência ou transgressão de regras.

Este semestre realizei um sonho que parecia meio utópico, confesso o automenosprezo, mas o tal do boca a boca calou a minha. Virei referência na área. Sonho realizado!

E como nenhuma realização de sonho acontece impunemente, comigo não seria diferente.

Hoje ao final de um semestre ( acabaram os vestibulares ) acordei e dei de cara comigo, sem nenhuma obrigação, sem horários, temas, letras, borrachas coloridas ( amo ) e urgências. Um lado explodia de alegria enquanto o outro uma exaustão denunciada pelos olhos e as unhas por fazer.

Como sempre ( espero que mude o cigarro), café, música, cigarro e uma fresta de sol para esquentar o corpo recém acordado, pensei em todas as vezes que julgaram-me mercenária, viciada em trabalho, fugitiva da viva social dos bares e boates da vida, egoísta....

-Já pensou em procurar um psiquiatra? – ouvi

- Valha-me! Tenho um que além de psiquiatra é amigo, e não sei se pelo doutorado ou pela amizade fala que eu não tenho nada, além da insanidade.

Mas confesso a dedicação extrema, chega a ser bonito de se ver. Mas abri mão de algumas coisas sim, não me arrependo. O que tem que ser será!!!!!

Hoje foi dia de olhar no espelho e ver. Por favor, não basta só olhar!

Larguei o café, apaguei o cigarro, aumentei o som e experimentei um vestido lindo que nunca usei e para sensação ser melhor ainda, constatei que emagreci, ensaiei penteados e nenhum deu certo, olhei a caixa de esmaltes ( outro vicio) escolhi o vermelho mais intenso, abracei a Margarida ( minha cachorrinha), abri minhas cortinas colorida, acendi outro cigarro, agradeci com o olhar os meus santos que moram em um relicário lindo que tenho, liguei para o salão, mandei sms para os amigos que viajaram, respondi os inbox do facebook, comi um pedaço de pizza gelada, desliguei a impressora, passei batom, liguei para irmã e saí.

Cheguei no salão e parafraseei Mercedes ( personagem de Martha Medeiros, O Divã) :

- Repicaaaaa! Repicaaaaaaaa!

- Mas você não quer deixar o cabelo crescer? Se eu repicar vai ficar curto.

- Muda, repicaaaaaa que fique curto, mas bonito. E nas mãos esse vermelho, nos pés o branquinho de sempre! Aceito cappucino!

Voltei para casa, CASA....

- Nova moradora? Brincou o porteiro amigo.

- Pois olhe, é sim.

- Hoje tem alunos e para mandar subir? Perguntou.

- Não, e se tivesse eu não estaria, tiramos férias da gente.

O cabelo ficou um pouco curto, mas lindo. As unhas belas e os pés descalços , só que na euforia a Margarida pisou na unha recém feita, pensei em gritar e lembrei que ela também trabalhou muito nesses últimos dias, assistia a todas aulas e acreditem, que ao cumprir os 90 minutos ( tempo da aula) ela latia, virou a sirene da escolinha. Os meninos até diziam que eu tinha treinado, sempre recebiam uma resposta ácida:

- Me respeita, eu mal consigo ter hora para dormir ou ficar bêbada, vou treinar a Guida para ser sirene? Ahhhhhhhhhh

- Então, como ela sabe que a aula vai acabar?

- Pergunta para ela, só tenho medo que me cobre salário.

Pedi cerveja ( hoje mereço lamber o chão), confirmei presença na festa da minha sobrinha ( filha de uma de minhas melhores amigas) que vai fazer 9 meses e eu só a vi até o terceiro. Tirei a roupa, aumentei o som, Frejat por favor, nada de Chico, Vinícius, Clarice ou seja lá o que for, minha alma quer festa! Sentei na mesa que dou aula que em 3 segundos transformei em bar, quando lá pelo segundo gole percebo que tem um homem arrumando a antena do prédio em frente e observando uma mulher só de calcinha e sorriso largo bebendo cerveja. Tive vontade de gritar, mas não, coloquei roupa, ele deveria estar realizando algum sonho também.


Bal 2!

sábado, 9 de abril de 2011

Me encontrei, mais ou menos...a vida continua!

Amiga amada e seguidores "desconhecidos", para mim,

Sentimento de verdade nunca, seja por decreto, vontade, angustia ou urgência, morre!
Se morreu, não tinha alma.
Não era bem isso aí, era "malo ou meno", tipo preenche lacuna. As lojas de departamento estão vendendo aos montes. Jogue no google, coisa simples.

Sumi mesmo só não mudei o endereço e casei, o resto tudo igual. Aliás o nº do cel mudou, isso é um tipo de TOC! Só pode!

Pois então, tentarei voltar aos poucos.
Ao acordar no dia 01/01/11 eu tracei uma meta e não questionei - se eu começar a perguntar, tenha certeza da incerteza ou fracasso - deu muito mais certo que o sonhado. Deu e como deu, não fiz uma carreira, simplesmente, fiz referencia.
Custou muito ( ainda mais para mim) Hoje posso dizer Não, sem culpa...
Depois de tanto e muito, aqui estou tirando as poeiras do lugar de minha alma.
- Não vou estar ao seu lado para fazer a redação das Ufs...
- Não mesmo.Estarei aqui "louca" torcendo!
Prometo, com dedicação e gratidão, falar muito e respeitar sua criação, porem o desnudar da alma é coisa que está na risada da professora que "parece piegas ou coisa de anarquista louco".

Amiga, sinto sua falta sempre!
Hoje me abraço, choro por tudo, morro rir e me re - apresento com texto pronto.

Vamos de Cartola na voz de Marisa? Ele tem me acalentado.

http://youtu.be/doU59v5LxVY

Bal 2

sábado, 1 de janeiro de 2011

Feliz Ano Novo


São 3 amigas.
Fernanda está na flor da idade. No alto dos seus 22 anos já teve muito história pra contar. Se casou, separou... Teve uma filha, e vive no conflito do “será que algum homem vai se interessar por uma mulher com uma filha de 3 anos?”. Bonita, divertida, turbinada... Ainda não entendeu que o interesse vem sem regras. Ele acontece. E quando acontece não há empecilhos.
Ana é uma mulher experiente, psicóloga, bonita e igualmente divertida. Depois de anos casada, dois filhos e muitas decepções, resolveu se dar uma chance de ser feliz novamente. Vive o auge do surto da separação... É.. Aquele surto que todos temos quando nos separamos que faz parecer que o momento é agora e que amanhã pode nunca mais acontecer. Busca um amor pra vida toda. Se apaixona na velocidade da luz, e na mesma velocidade faz a fila andar quando não é correspondida.
Laura é uma incógnita até pra ela. Depois de um casamento, um Câncer, uma desilusão... Acredita já ter experimentado tudo que a vida tem pra dar. Vive uma fase de estagnação... Parada... Suspensa no ar! Tem uma filha de 15 anos que é a paixão da sua vida, e hoje se satisfaz vendo a filha viver aquilo que ela já viveu. É sempre bem quista entre os amigos que acham ter ela encontrado o segredo da paz e da serenidade. Não sabem eles que por trás daquela mulher moderna, bem resolvida, divertida existe uma mulher que grita. Ah, se essa mulher falasse...
Começo hoje contando do penúltimo dia de 2010.
São 21:45 e Laura liga para Ana dizendo que ainda não está pronta. Ana já está em cima do salto (Ela sempre fica pronta primeiro). Não sabem ainda onde vão, mas por algum motivo o novo namorado da Ana resolveu dar uma surtadina básica e sumir. Então, borá pra rua!!
As duas já passaram dos 35, portanto não é em qualquer lugar se sentem confortáveis. Depois de voltas intermináveis pela cidade acabam sentando no bar de sempre, pedindo a bebida de sempre e esperando como sempre que algo extremamente extraordinário aconteça. Moram numa cidade sem muitas opções... Sem atrativos! A concorrência é de 10 mulheres para cada homem, e as mulheres além de tudo são bonitas... Portanto a coisa não é fácil.
Ana está em dia. Com um namorado novo. Cheio de vontade. Ela se atreve em sexy shop, e se delicia entre velas, sabores e temperaturas, tudo para diversificar a relação e torná-la o mais diferente possível do seu antigo casamento.
Laura, como já dito, parou no tempo. Costumava ser uma mulher cheia de pretendentes. Sexo, era palavra comum em seu vocabulário. Tinha uma cabeça aberta, e não fazia a menor cerimônia em colocar mais um na sua lista de P.A’s. Sim, para ela sexo nunca esteve relacionado ao amor. Sexo era sexo. Bastava escolher qual era forma que queria no dia: carinhoso, cúmplice, selvagem... Uma ligação, e pronto. Sexo era delivery. Mas por algum motivo um dia isso mudou. Talvez ela tenha cansado. Isso é muito comum se tratando de Laura. Ela se cansa das coisas. Principalmente daquelas que abusa do uso. Roupas, sapatos, bolsas, cabelo, pessoas e até sexo... Tudo na vida dela tem prazo de validade.
Fernanda chega no bar com a euforia de quem tem 22 anos. Aos 22 o mundo é de possibilidades infinitas. O simples fato de sentar na mesa com as amigas coroas já é excitante, porque é sinal de que por mais uma noite ela terá a possibilidade de aprender algo muito além da sua idade. EXPERIÊNCIA! Essa é a grande vantagem de conviver com mulheres mais velhas.
Depois de algumas “margueritas”, e de incomodarem com a alegria de bêbados na mesa ao lado, Laura dá a grande sugestão da noite:
_ Vamos dançar!
Mas dançar onde? As boates da cidade tem opções limitadas: ou se vai para boate da moda e fica-se deslocada entre jovens de 18 anos que acabaram de ser apresentados à bebida, ou escolhe a outra boate “da hora” onde insuportavelmente você tem que se render ao som do sertanejo (Laura odeia música sertaneja!).
Então Laura mais uma vez lança mão da sua criatividade e dá a brilhante sugestão:
_ Vamos para uma boate gay! Não há lugar melhor para dançar. É diversão garantida. E as possibilidades da noite não vão muito além de mais uma marguerita e cama para todas, e lá não... Lá nós vamos dançar!
As duas amigas ficaram em dúvida. Primeiro pensaram que Laura estava brincando. Ana e Fernanda nunca haviam pisado num lugar como esse. Soava perigo, pecado, errado. Laura estava acostumada. Teve por toda vida gays como grandes amigos. Era considerada a “Drag” que deu certo por ter nascido mulher. Talvez pela alegria ou pelo desembaraço de lidar com o assunto... Talvez por ser aquariana e ter uma cabeça sempre a frente do seu tempo. Lidava com assunto com muita naturalidade, mas ficou receosa em levá-las quando enxergou a dúvida que pairava na cabeça das amigas. Sabia ela que quando pessoas héteros se propunham em adentrar o mundo GLS tinham que ter a cabeça muito aberta. Tinham que estar preparados para ver o que não se vê nas ruas. Homens se beijando.. Mulheres te olhando com olhar de desejo... Tudo isso tem que ser natural... E se não for... Tem que fingir que é.
Chegaram na porta da boate e o segurança já olhou com cara de “o que elas estão fazendo aqui?”. A primeira pergunta foi:
_ Vocês conhecem a casa?
Laura riu. Sabia que a cara das amigas deixava claro que era a primeira vez. Olhos vidrados... Cara de “o que eu to fazendo aqui!”. Então tratou de tomar a frente e dizer que conheciam, para evitar maiores constrangimentos. Fernanda ria. Um riso meio que de excitação... Meio que de nervoso por não saber o que encontrariam da outro lado da porta. Ana não disfarçava o nervoso. Nervoso por estar entrando num lugar como aquele... Nervoso porque o namorado não havia ligado... E mais nervoso ainda por pensar que ele, a qualquer momento, poderia ligar e como dizer ao namorado “ Oi amor, estou aqui com duas amigas numa boate gay”?!
Laura ria. Prestava atenção em cada reação das amigas. Gostava de ler as pessoas. Conhecer além do que se enxerga.
O segurança abre a porta e um mundo diferente se abre. O breu... O suor... O cheiro de sexo. Tudo parece pecaminoso. Os olhares são de gula. A dança é sensual. Todos buscam o mesmo: Prazer. Ana e Fernanda logo percebem que uma bebida seria extremamente necessária para aquele momento. Beber para suportar. Laura, por sua vez, se joga na pista. Ela ama dançar, e quando dança acredita verdadeiramente que todos os problemas de sua vida desaparecem.
De repente tudo fica mais escuro e no palco aparecem 3 homens e uma mulher. Corpos esculturais. Dançando divinamente. Deixando os músculos bem torneados à vista. Deixando homens e mulheres salivando. Fernanda e Ana correm para a frente do palco. Nunca tinham visto um gogo boy na vida e era simplesmente fascinante. Os garotos vendo claramente que ali se tratavam de duas mulheres faziam questão de atiçá-las. Fernanda mais que Ana estava vidrada no mais bonito de todos. Todos os hormônios de seus 22 anos gritavam, desejavam aquela carne. Mas era muito nova. Não tinha coragem sequer de chegar perto. Lara observa tudo de longe. Para ela, fora a música, nada ali era excitante. Já tantas visto tantas vezes, que havia ficado comum. Mas se dispôs a fazer a noite da amiga mais animada. Se aproximou e disse:
_ Fernanda, chega perto e pega nele.
Como uma ordem impossível de ser desrespeitada Fernanda se aproximou do palco, e imediatamente ele se abaixou. Fernanda passava a mão em suas pernas, e ele que de bobo não tem nada, pega a mão da moça e passa em seu peito, sua barriga... Fernanda sente cada músculo do rapaz, e fecha os olhos... Entra em êxtase. Nunca havia passado por tal experiência. Nunca havia tocado um corpo tão perfeito. A perfeição fascina.Depois disso não havia mais música, nem indignação com homens se beijando... Só havia aquele homem no palco. Ela não entendia que aquilo para ele era trabalho. Para ela havia sido um momento mágico, especial.
Enquanto Fernanda sonhava com seu novo príncipe, Ana (que claramente não se adaptou) reclamava dos pés que doíam. Laura dançava e ria do amigo gay que acabara de fazer que estava afim de um rapaz muito lindo do outro lado da pista mas que, por ser tímido, não conseguia fazer nada. Laura mais que rápido deu um jeito de aproximar os dois.
Já eram 5 horas da manhã quando as três decidiram ir embora. Laura porque olhava a cara de desgosto da amiga Ana que reclamava dos pés, Ana porque não gostou da experiência e se perguntava o tempo todo “Onde ele está? Por que não me ligou?!”... E Fernanda porque não tinha coragem de ficar ali sozinha, e dormiria com a doce lembrança de tocar naquele corpo.
Último dia de 2010.
Laura acordada moída. Há anos não dançava tanto e idade provou que essas extravagâncias agora tinham um reação diferente no corpo. Resolveu que passaria o dia de pijama. Estava só em casa, a filha havia viajado com a família do pai. Tinha em mãos um mundo de possibilidades. Podia fazer o que quisesse. Mas resolveu ficar em casa de pijama.
Ana acordou com o telefonema do namorado que havia sumido na noite passada. Como se isso não fizesse a menor diferença, se programou com ele para passarem a virada juntos. Decidiu ser melhor só contar da sua noite anterior até o ponto em que chegaram no bar. Achou mais prudente não contar para o namorado que passou a noite se jogando numa pista de uma boate gay rodeada por homens seminus.
Enquanto Laura se preparava para assistir o terceiro filme do dia, Fernanda liga e diz:
_Amiga, você não vai acreditar!
Depois dessa frase ela conta da busca que fez na madrugada pelo gogo boy... Oops.. Príncipe do seus sonhos. E que após tê-lo encontrado numa rede social e de uma conversa caliente, ela estava se preparando para encontrá-lo e dessa não vez não só tocar, mas provar da carne que mais desejou em sua vida.
Sei o que estão pensando... Ela é louca! E eu digo: Não, ela é jovem!
Laura toma um banho frio, troca seu pijama, abre uma garrafa de vinho.
À meia noite recebe o telefonema da filha, desejando um Feliz Ano Novo no meio de uma festa na praia, com fogos e direito a pular as sete ondas. Ela olha pela janela do prédio, e fogos coloridos surgem de todas as partes e estranhamente ela se sente em paz... Todos estão bem e felizes!

Feliz 2011!

Feliz 2011!

Bal 1