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sábado, 16 de maio de 2009

O Urgente é a calma



Soube a pouco que uma amiga de infância ficou noiva!
Ficou noiva do amigo do meu irmão.
Ficou noiva, com previsão para morarem juntos assim que acharem um fiador para o aluguel do suposto ninho de amor ( isso pode levar séculos).
Ficou noiva.....em menos de 2 meses de namorico.
Até aí tudo bem. O que tem de mais isso?


Vou começar essa postagem desta forma pois ela me da embasamento para falar de algo que vem povoando meus inúmeros momentos de reflexão.


A Urgência de afeto.


O corpo pede, a alma reclama e a sociedade julga e cobra. Pronto você acaba de entrar em um emaranhada de urgências, respire fundo porque a partir daí quase tudo será obedecido menos o seu lado racional.
Desta forma o que vier ... veio, e geralmente entre muitos desejos sexuais, vontade de ser amélia e uma insuportável necessidade de escancarar uma aliança na mão esquerda, nos faz embarcar em uma história nada romântica, apenas cheias de planos e silêncios.
Já fiz isso, casei, decorei o ninho de “amor” com detalhes tão nossos que quase não permitia visita de estranhos. “Era nosso!”
Não vou detalhar meu “casamento” que durou 8 meses, mas preciso falar como acabou.
Tenho a estranha mania de pensar tão em silêncio que nem eu mesma sou capaz de escutar, até que um dia a alma pediu atenção e percebi que: Eu não amava, que o porta retrato digno de uma biografia de amor era falso, quase feita no photoshop, que a visita estranha era eu.
Parei de sorrir e fui povoada por uma solidão tão intrínseca que chorava escondido no banheiro para que nada respingasse no meu ninho de amor inventado.
Sofria como uma insana, pois não sabia como deixar de obedecer a carência, o eminente, a cegueira!
Como eu ia deixar de ser casada da noite para o dia?
Quem ficaria com os quadros que pintei com temas românticos?
E a cama tão grande que compramos para dividir noites de rotinas ( uma hora a palavra urgência se transforma em rotina, como em um passe de mágica)?
Quem iria me aguentar?
E as alianças?
COMO EU SENTARIA NA FRENTE DAQUELE HOMEME E DIZER:- Preciso te deixar, por que nunca te amei, nunca foi você...foi tudo menos amor!!!!?
Enlouqueci de um tamanho tão grande, olhem isso, minha alegria era quando ele tinha trabalhos da faculdade pois eu os fazia e este era o único momento em que nem eu nem ele cobrávamos matrimonio.( deveria ter ido receber o diploma).
Era uma redenção!
Até que um dia o chorar era alto demais e passava pela porta inundando o que chamávamos de lar.
Pedi que sentasse na minha frente, ele já veio chorando...meus olhos não costumam mentir e com toda a dor do mundo falei:
Acabou, ou melhor nem começou. Vai embora!
Acabará de matar os sonhos dele e ressuscitar minha realidade.
Tirei minha aliança e passei a noite a chorar.
Foi a primeira vez na vida que percebi o quanto não sabemos ouvir o nosso coração.
Querer colo, um pé quentinho, uma noite acompanhada, um jantar a luz de vela...pode ser coisa feita sem contratos. Posso estar parecendo o ser mais frio do mundo, juro que não sou e por isso tive um profundo ódio de não ter usado o coração e alma essa hora...os cacos só conseguimos juntar 3 anos depois, quando conseguimos olhar um nos olhos do outro e dizer: - OBRIGADA!
( Hoje somos “amigos” com algumas rusgas é claro, mas temos um respeito lindo um pelo outro, confesso a culpa foi toda minha).
Agora minha amiga embarca na mesma história ou estória, seus olhos brilham a cada jogo de panela que vê.
Não só ela, vejo tanto caso parecido.
Tantos jogos de aparências por aí, enquanto o coração deixa de aparecer para não enterrar o que já está morto.
Não posso definir, nem muito menos julgar. Deveria aconselhar, pois até hoje tenho cicatrizes que insistem em me lembrar o ocorrido e o que me fez um bocado cética.
Mas não aconselharei, sou a favor dos riscos, passei a adolescência lendo Buscaglia, só peço para que não maltrate seja lá o que for.
Não raro vejo olhos piedosos dizendo:
Tadinha, 34 anos solteira e sem filhos!
Você não ama ninguém?!!!!!
Só esboço um sorriso amarelo, até porque eu acredito no amor e sonho com marido, filhos, cachorro, casa e etc e tal. Sonho muito e espero ansiosa cada segundo da minha vida.
Talvez por já estar escolada a ponto de saber a cartilha de cor, sei identificar o que é para já, o que é para logo e o que não é...acabo então deixando a intuição me governar, se eu entrar na mão errada tenho outro GPS bem confiável: MEU CORAÇÃO!
Quanto a minha amiga desejo sorte e humildemente desejo força!


Enquanto isso passo minhas noites me divertindo sem urgências ou assistindo Vicky Cristina Barcelona (vale a pena,trata com maestria essa tal urgência de afeto) como fiz ontem...se a cama está “vazia” ao menos está cheia de "certezas".
Tem uma lição que aprendi: amor é amor! Não tem urgência, tem vida própria.
O urgente é a calma!
Não se apresse, o que é seu, vem a seu encontro.... e...
Com calma.
Bal 2

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